Entrei com tudo em casa! Já estava decidida, não ia voltar atrás. Ia matar você.
Ignorei sua voz perguntando - amor? - ah, não agora! Não agora que já tava tudo planejado. Não venha me chamar de amor. Não venha ser sentimental quando tudo que quero ver é você longe de mim de uma vez por todas. Não tenho que sentir culpa, afinal você também tentou me matar todo esse tempo não foi mesmo? Me asfixiou com suas verdades, seu preceitos, suas dores, sua infelicidade programada e escolhida.
Fui direto a cozinha, peguei uma faca. Foi a maneira escolhida. Só assim até pra te tirar de mim teria que te tocar. Sem olhar pra os lados, sem pensar em nada além daquele momento, entrei no quarto. Limpei a garganta pra dizer tudo que havia ensaiado e assim foi.
- o que é isso?
- o que é isso o que? Você nos afasta todo dia um pouco mais, me tira a chance de ser feliz, me tira o brilho do amor dos olhos. Mata um pedaço de mim a cada manhã e ainda pergunta o que é isso?!
- você ta louca! Larga essa faca!
- não, não largo! Vou matar você.
Então eu fiz. Matei os dias que você não sorriu pra mim, matei as noites que chorei, matei os sonhos que criei, matei teu cheiro, teus olhos infantis, tua voz, matei tudo de você que existia em mim.
No fim das contas quem morreu fui eu. Só ai percebi, com a faca na mão, o quarto vazio, o quanto eu pertencia a você, o quanto sem você, não era eu. E o que era pra ser um crime passional, transformou-se em suicídio de amor.
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