sábado, 13 de novembro de 2010

do sol e do suor

Gosto das tardes quentes do Recife,
e o teu corpo bronzeado caminhando do lado.
Cabelos ao ritmo do vento e o reflexo do sol clareando teus olhos.
Sempre aquele sorriso,
aquele seu sorriso que é só pra mim.
Não sei ao certo o que é certo,
mas sei que nesses dias me sinto feliz.
Adoro saber que essa cidade é quente até quando chove,
e quem sabe você continue aqui.
Mas se um dia tua presença se for,
ainda vai ter a lembrança desses dias suados pra me aquecer.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

brincando

lábios cor de amora,
doces como mel,
por do sol, aurora,
do seu lado sempre céu.

céu da tua boca,
luz do teu sorriso,
olhar feito de lua,
tranquilo e decidido.

pele tom verão,
quente como o sol,
inebria a estação,
de repente sou seu soul e só.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

comer, pensar e pensar

Sempre que caminho sozinha à noite, me sinto assim, fora do mundo. É um exercício solitário de reflexão e contemplação. Já notaram como o silêncio da noite penetra nos ouvidos e é tão intenso que chega a doer lá no fundo? O som do nada enche minha cabeça com tudo. Rimei sem querer, não gosto de rimas.. Só às vezes. Acho que é ousar demais. Os poetas rimam, eu sinto, eu só sei sentir e é por isso que escrevo.
Hoje fui ao cinema. O filme em si era monótono, a personagem é tão cheia de conflitos que quase me senti deprimida e conflituosa também. Mas um dialogo em especial me chamou a atenção..
Ele diz: sei que somos infelizes, mas não vai embora, vamos ser infelizes juntos e sermos felizes por isso. Simplesmente por termos um ao outro.
Ela diz: somos infelizes porque temos medo de deixar aquilo que possuímos pra trás e tentar o novo..
Ta, não tinha como transcrever o dialogo literal, minha memória não é tão boa assim, mas quem assistiu Comer, rezar e amar sabe que foi algo do tipo.
E é isso, pronto. Ninguém nunca me bateu tão forte com a verdade como essa cena.. É o que somos, é o que respiramos e vivemos. O medo transforma toda infelicidade em algo justificável. O ser humano em geral não foi preparado para o desapego. Viver mediocremente é melhor do que jogar tudo pra cima e correr o risco de não ter mais nada, mas o que se esquece, é que pode-se ganhar tudo também. Como podemos saber se nossas escolhas são as certas? Como podemos ter certeza se é exatamente isso que queremos? Como podemos medir todas as oportunidades que deixamos pra trás ao escolher determinado caminho? Acho que nunca vamos encontrar respostas para essas perguntas, ou pelo menos para algumas delas. A gente se acostuma tanto com as coisas ao redor, que esquecemos que depois do horizonte tem muito mais (sei, foi meio piegas esse lance de horizonte, mas foi o melhor que consegui).. Tem lugares diferentes, pessoas diferentes, temperaturas diferentes, fuso horários diferentes, climas diferentes, culturas diferentes e uma infinidade de experiências diferentes que recusamos automaticamente e diria até ignorantemente simplesmente pra ser igual. Sabe aquele filme das formiguinhas? Todas trabalhavam de operárias, todas iam dançar na mesma hora, e tinha que ser a mesma dancinha. Acho que somos essas formiguinhas, e tentamos seguir a coreografia da vida "normal" sem correr o risco de tentar novos passos e cair. Que saudade de tempos que não vivi.. Que vontade de acordar sem apego a nada. Nem mesmo a minha caixa de chocolates que tá lá na geladeira. Acho que o medo me transformou em uma pessoa que eu não sou. Não me conheço, nem reconheço.
Acho que meu lado criativo é maior que eu mesma, e não consigo caber em mim. O que se faz quando existe essa luta interior por espaço no comando? Coragem mano, chega ai, agora chega chegando e fica falou? Me leva pra tu sacou? Me libera dessa treta. E esse texto acaba assim, sem termino. Existe tanta coisa ainda aqui dentro transbordando, que seria injusto por um ponto no fim

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ser são por quê?


E às vezes tudo parece pequeno demais. Me sufoco com a quantidade de coisas que estão na minha cabeça, me engasgo com as frases presas na garganta, um aperto no peito, muita coisa pra sentir ao mesmo tempo. Excessivamente reflexiva pra meu gosto. De gosto só o amargo do incerto, ou o acido das coisas feias que vez ou outra quero falar.
Não, perdoem-me, acho que na verdade tudo parece grande demais. Fora do meu alcance, não sei se nasci pra chegar lá, nem mesmo sei onde é lá.
Tem dias que a gente acorda com tudo fora do lugar, não sei. Ou sei?
É essa necessidade de ser mais, de ser feliz, de ser o que o outro quer e se tiver tempo, ser o que é.
Essa multidão de incertezas, e esse tempo parado, esse vento fraco que passa lá fora e não move nada, dá medo de que tudo fique assim, e as folhas não caiam, e os frutos não cresçam e a vida se estagne, e morra como uma planta que não vê o sol.
Eu quero acordar e quero que algo aconteça, quero ser sacudida, quero gritar o que eu quiser. Quero praticar o desapego com tudo aquilo que me amarra, que me prende, quero ser sem raiz.
Quero mostrar pra mim mesma o que eu sou capaz, quero me surpreender comigo, quero me dar motivo de orgulho. Depois disso eu penso em quem vai achar o que.
E que essa noite a sanidade venha e fique, é claro se tiver algum lugar aqui dentro, senão, tudo bem, vivi tranquilamente até hoje sem ela

domingo, 26 de setembro de 2010

do sol

Tudo com você é mágico, desde a praia em um domingo ensolarado, até àquela noite que foi só pra nós. Tudo contigo tem rima, tem ritmo, tem a suavidade de um trem bala, mas não me tira do lugar. Toda hora é tua hora, não tem destino ou caminho que vá mudar o desejo de não te perder de vista, essas coisas que só o vício traz. A saudade é palavra constante no vocabulário do novo dia a dia que se faz em mim. Planos, promessas, sonhos, a construção disso em conjunto sem aquela pressão de que nada pode sair da linha, o que importa mesmo é o que já temos, nós. Frases soltas, coisas de domingo, quem dera todo ele fosse assim, teus olhos, meus olhos, um passeio sem pressa, só o tempo de vivermos e respirarmos o mesmo ar. E agora tudo que escuto é aquela musica velha tocando e dizendo: Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol..

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

pluma


mansamente chegaste.
e quando eu gritava não mais querer alguém pra dividir,
roubaste os meus pensamentos, desejos e sorrisos.
surpresa bem vinda e linda que a vida colocou assim, tão sem alarde no meu caminho.
sem pressa ou pressão, os dias foram se fazendo pouco a pouco em rotina nossa, dias teus nos meus. e o engraçado é que já me pergunto, e como era antes mesmo? não lembro. nem preciso.
só preciso matar essa fome de você, esse desejo desmedido de conhecer cada parte do que és. cada centimetro do teu corpo.
então me permita ser. ser sua, ser mais, ser sempre.
e cada dia vai ser da gente e um passo pra o depois, e pouco importa o que o
resto do mundo vai pensar.
o mundo é nosso.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

rosa e azul

Ele gosta de praia, onda e mar, guarda uma prancha no quarto e escuta reggae. Eu gosto de cinema, bar e violão, escuto MPB, e tomo cerveja até de manhã.
Quando ele sai usa roupa folgada, camisa quadriculada e cabelo no rosto, eu fico horas no espelho, coloco uma calça apertada e blush.
Ele não leva desaforo pra casa, pega pedra, toco e o que tiver na frente, joga mesmo se precisar, cuida dos seus, mas não mexa com ele. Já eu tenho medo de briga, tento ser paciênte até onde se é possível ser.
Ele não tem vergonha, fala alto, canta e dança a hora que quiser, eu canto pra dentro em público, e só perco a vergonha depois de uns copos de cerveja.
É como se a gente completasse um no outro o que falta. De tão diferentes, parece que por isso que conseguimos ser o que somos. A ponte que nos une é o que sentimos, é o desejo de fazer tudo permanecer vivo e pulsante. E de repente ao lado dele sou mais eu, sem medo de chuva ou trovão, sem medo de bala perdida e ladrão, ele cuida de mim e eu cuido dele.