domingo, 26 de setembro de 2010

do sol

Tudo com você é mágico, desde a praia em um domingo ensolarado, até àquela noite que foi só pra nós. Tudo contigo tem rima, tem ritmo, tem a suavidade de um trem bala, mas não me tira do lugar. Toda hora é tua hora, não tem destino ou caminho que vá mudar o desejo de não te perder de vista, essas coisas que só o vício traz. A saudade é palavra constante no vocabulário do novo dia a dia que se faz em mim. Planos, promessas, sonhos, a construção disso em conjunto sem aquela pressão de que nada pode sair da linha, o que importa mesmo é o que já temos, nós. Frases soltas, coisas de domingo, quem dera todo ele fosse assim, teus olhos, meus olhos, um passeio sem pressa, só o tempo de vivermos e respirarmos o mesmo ar. E agora tudo que escuto é aquela musica velha tocando e dizendo: Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol..

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

pluma


mansamente chegaste.
e quando eu gritava não mais querer alguém pra dividir,
roubaste os meus pensamentos, desejos e sorrisos.
surpresa bem vinda e linda que a vida colocou assim, tão sem alarde no meu caminho.
sem pressa ou pressão, os dias foram se fazendo pouco a pouco em rotina nossa, dias teus nos meus. e o engraçado é que já me pergunto, e como era antes mesmo? não lembro. nem preciso.
só preciso matar essa fome de você, esse desejo desmedido de conhecer cada parte do que és. cada centimetro do teu corpo.
então me permita ser. ser sua, ser mais, ser sempre.
e cada dia vai ser da gente e um passo pra o depois, e pouco importa o que o
resto do mundo vai pensar.
o mundo é nosso.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

rosa e azul

Ele gosta de praia, onda e mar, guarda uma prancha no quarto e escuta reggae. Eu gosto de cinema, bar e violão, escuto MPB, e tomo cerveja até de manhã.
Quando ele sai usa roupa folgada, camisa quadriculada e cabelo no rosto, eu fico horas no espelho, coloco uma calça apertada e blush.
Ele não leva desaforo pra casa, pega pedra, toco e o que tiver na frente, joga mesmo se precisar, cuida dos seus, mas não mexa com ele. Já eu tenho medo de briga, tento ser paciênte até onde se é possível ser.
Ele não tem vergonha, fala alto, canta e dança a hora que quiser, eu canto pra dentro em público, e só perco a vergonha depois de uns copos de cerveja.
É como se a gente completasse um no outro o que falta. De tão diferentes, parece que por isso que conseguimos ser o que somos. A ponte que nos une é o que sentimos, é o desejo de fazer tudo permanecer vivo e pulsante. E de repente ao lado dele sou mais eu, sem medo de chuva ou trovão, sem medo de bala perdida e ladrão, ele cuida de mim e eu cuido dele.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

primavera

Definitivamente me libertei das pessoas. A conclusão que cheguei é que não amamos João, José ou Maria, e sim o amor que achamos sentir por eles.entende?
Amamos ter alguém que julgamos nosso, amamos o carinho, a atenção, a dedicação, o encaixe e as experiências vividas. Quando acaba, dói simplesmente porque a sintonia alcançada pela rotina causa apego, e desvincular esses laços não é exatamente uma das tarefas mais fáceis do mundo. Mas logo que a dor passa, que a cicatriz se faz, a vida mostra que cada dia é um dia, e são 24 novas horas de oportunidades de viver e conhecer coisas e pessoas novas, até que aparece, não me pergunte por que, outro alguém que te encanta. E o ciclo se refaz. E desfaz. E se faz. Também não sei, e dentre todas essas incógnitas, a única certeza que eu tenho é que não tenho medo. Vou vivendo e quem sabe, uma dessas rotações traz a primavera pra mim.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

a falta

Às vezes sinto muita falta. Falta de pessoas que não conheço, de lugares que nunca fui e de coisas que nunca fiz. É a falta do que não vi, a falta que faz viver tão pouco, arriscar tão pouco. Ser convencional, usual, e sociável. É esse lance de obedecer à ordem natural das coisas e principalmente a ordem dos outros.. Vinte e um anos. O que construi além de maquetes no segundo grau e um currículo médio na faculdade? Não sei, não consigo pensar em muitas coisas, e castelo de cartas de baralho não conta! Não é possível que em um planeta onde vivem aproximadamente 6,8 bilhões de pessoas, o meu facebook abrigue todos os que eu deveria conhecer. Ah e nem me venha com essas tecnologias de twitter, eu não quero seguir ninguém, quero ir do lado, sem falar que 140 caracteres me reprimem. Eu preciso de espaço, eu preciso do espaço, da falta de limite e da sobra de tempo, pra ser quem sou e o que eu quiser ser amanhã ou depois, pra ir a Istambul aprender a falar turco, ou ir ao Acre, ver se ele existe mesmo. E assim, vou saber que tudo valeu à pena, porque viver, simplesmente do mesmo jeito covarde que todo mundo vive, definitivamente não é pra mim, o problema todo é que a coragem ainda não chegou por aqui, moro longe.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

na verdade..

A coragem é apenas um passo, é dele que se precisa pra andar depois. O medo das coisas não ditas, só faz com que elas pareçam maiores ainda do que de fato são. A ignorância é a droga preferida daqueles que estimam uma vida tranquila, o não saber aquieta o coração e a consciência. O negocio é o primeiro passo! Andar por onde não se conhece, um caminho novo e escuro, é no mínimo assustador, olhar se existe algo depois da ultima luz a vista, ou ouvir as verdades de que tanto tenta correr são coisas difíceis. Acredite! Essa história de verdade é engraçada. Todo mundo diz: amo a sinceridade, valorizo a verdade. Mas tem momentos na vida que tudo que queremos ouvir são mentiras, ou simplesmente fechar ou ouvidos e não escutar nada. Deixar no não dito a certeza de que assim pode-se sentir menos dor. Mas o que acontece é que uma hora ou outra a gente tem que encarar, pra não deixar a vida pra trás. Que texto tão auto-ajuda. É, é uma auto-auto-ajuda. ;x

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

do que era

naquela mesma rotina, naqueles mesmos lugares, onde antes sentia tuas mãos nas minhas, onde antes ia por ti. já faz tanto tempo não é? uma eternidade. e por que ainda sinalizo um ponto de saudade, uma dorzinha que teima em não ir embora assim como você foi?
não sou muito acostumada a perder coisas, uma vez perdi uma meia, e rodei até achar, mesmo sabendo que nem usava mais meias, só havaianas. mania feia a minha, não pratico desapego. o problema é que a gente vai perder cada coisa que temos hoje. as roupas ficam velhas, ou pequenas, ou fora de moda, pronto, perdeu. as cargas das canetas acabam e os celulares simplesmente pifam. ah, esqueci de dizer que as pessoas que amamos, também tendem a acabar ou pifar, o problema é que não tem uma assistência autorizada para isso. só o tempo mesmo, ou nem ele.
escrevo é pra mim, só quem sente sou eu, ou pelo menos sente isso por você (tive que rir, foi inevitável).
escrever me liberta, porque só assim um pouco de você sai de mim, mesmo que apenas uma parte, falta todo o resto. vamos combinar assim então: vou vivendo, e escrevendo e pouco a pouco te tirando daqui, restará um dia então, apenas essas frases não ditas, esse acordo mudo, entre o que ficou em mim, do que foi você.