quarta-feira, 18 de agosto de 2010

primavera

Definitivamente me libertei das pessoas. A conclusão que cheguei é que não amamos João, José ou Maria, e sim o amor que achamos sentir por eles.entende?
Amamos ter alguém que julgamos nosso, amamos o carinho, a atenção, a dedicação, o encaixe e as experiências vividas. Quando acaba, dói simplesmente porque a sintonia alcançada pela rotina causa apego, e desvincular esses laços não é exatamente uma das tarefas mais fáceis do mundo. Mas logo que a dor passa, que a cicatriz se faz, a vida mostra que cada dia é um dia, e são 24 novas horas de oportunidades de viver e conhecer coisas e pessoas novas, até que aparece, não me pergunte por que, outro alguém que te encanta. E o ciclo se refaz. E desfaz. E se faz. Também não sei, e dentre todas essas incógnitas, a única certeza que eu tenho é que não tenho medo. Vou vivendo e quem sabe, uma dessas rotações traz a primavera pra mim.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

a falta

Às vezes sinto muita falta. Falta de pessoas que não conheço, de lugares que nunca fui e de coisas que nunca fiz. É a falta do que não vi, a falta que faz viver tão pouco, arriscar tão pouco. Ser convencional, usual, e sociável. É esse lance de obedecer à ordem natural das coisas e principalmente a ordem dos outros.. Vinte e um anos. O que construi além de maquetes no segundo grau e um currículo médio na faculdade? Não sei, não consigo pensar em muitas coisas, e castelo de cartas de baralho não conta! Não é possível que em um planeta onde vivem aproximadamente 6,8 bilhões de pessoas, o meu facebook abrigue todos os que eu deveria conhecer. Ah e nem me venha com essas tecnologias de twitter, eu não quero seguir ninguém, quero ir do lado, sem falar que 140 caracteres me reprimem. Eu preciso de espaço, eu preciso do espaço, da falta de limite e da sobra de tempo, pra ser quem sou e o que eu quiser ser amanhã ou depois, pra ir a Istambul aprender a falar turco, ou ir ao Acre, ver se ele existe mesmo. E assim, vou saber que tudo valeu à pena, porque viver, simplesmente do mesmo jeito covarde que todo mundo vive, definitivamente não é pra mim, o problema todo é que a coragem ainda não chegou por aqui, moro longe.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

na verdade..

A coragem é apenas um passo, é dele que se precisa pra andar depois. O medo das coisas não ditas, só faz com que elas pareçam maiores ainda do que de fato são. A ignorância é a droga preferida daqueles que estimam uma vida tranquila, o não saber aquieta o coração e a consciência. O negocio é o primeiro passo! Andar por onde não se conhece, um caminho novo e escuro, é no mínimo assustador, olhar se existe algo depois da ultima luz a vista, ou ouvir as verdades de que tanto tenta correr são coisas difíceis. Acredite! Essa história de verdade é engraçada. Todo mundo diz: amo a sinceridade, valorizo a verdade. Mas tem momentos na vida que tudo que queremos ouvir são mentiras, ou simplesmente fechar ou ouvidos e não escutar nada. Deixar no não dito a certeza de que assim pode-se sentir menos dor. Mas o que acontece é que uma hora ou outra a gente tem que encarar, pra não deixar a vida pra trás. Que texto tão auto-ajuda. É, é uma auto-auto-ajuda. ;x

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

do que era

naquela mesma rotina, naqueles mesmos lugares, onde antes sentia tuas mãos nas minhas, onde antes ia por ti. já faz tanto tempo não é? uma eternidade. e por que ainda sinalizo um ponto de saudade, uma dorzinha que teima em não ir embora assim como você foi?
não sou muito acostumada a perder coisas, uma vez perdi uma meia, e rodei até achar, mesmo sabendo que nem usava mais meias, só havaianas. mania feia a minha, não pratico desapego. o problema é que a gente vai perder cada coisa que temos hoje. as roupas ficam velhas, ou pequenas, ou fora de moda, pronto, perdeu. as cargas das canetas acabam e os celulares simplesmente pifam. ah, esqueci de dizer que as pessoas que amamos, também tendem a acabar ou pifar, o problema é que não tem uma assistência autorizada para isso. só o tempo mesmo, ou nem ele.
escrevo é pra mim, só quem sente sou eu, ou pelo menos sente isso por você (tive que rir, foi inevitável).
escrever me liberta, porque só assim um pouco de você sai de mim, mesmo que apenas uma parte, falta todo o resto. vamos combinar assim então: vou vivendo, e escrevendo e pouco a pouco te tirando daqui, restará um dia então, apenas essas frases não ditas, esse acordo mudo, entre o que ficou em mim, do que foi você.