domingo, 2 de outubro de 2011

Princesa

Desde que te vi, princesa, quis morar aí nesse universo encantado. Sei que isso tudo é estranho, princesa, sei que contos de fadas não existe e na verdade sei que nossa vida não se parece com um. Mas quis te chamar assim, só pelo carinho, pela breguice que é esse tal do amor, pela coisa estranha e tão fora de moda que é esse lance de paixão.
Ao pensar em ti, princesa, vejo naquele quarto vazio nosso castelo, no ônibus lotado o cavalo branco que nos leva pela floresta de gente, minha linda, que nos faz esquecer o mundo ao redor. Quando estou longe de ti, princesa, penso em mandar uma carta ou pergaminho, declarando tudo que sinto, pra que ele atravesse o oceano dentro de uma garrafa e chegue até você. Ainda temos que enfrentar, querida, os dragões do dia a dia, os obstáculos que insistem em querer atrapalhar nosso "felizes para sempre". Não te culpo, meu bem, pelas diferenças que se instalam entre nós, os desacordos de seres estranhos que tendem a querer ser um só.
Mas te desenhei, princesa, te dei meu coração e uma chance de cuidar bem e ficar. Por isso, querida, não quero ficar perdida nesse espaço entre o que foi e o que poderia ser, não quero ser memória, palavras, contos e livros, que ficam na estante e falam do que não é mais. Quero estar presente, minha linda, quero ser o hoje todo dia do seu lado. Quero pensar que depois de cada letra, vou ter mais histórias para contar sobre nós. E ser nós, e viver nós e te chamar de princesa e ser brega e nem ligar pra isso.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vai pensando..

Não fala comigo como se soubesse exatamente o que tô querendo dizer,
não cria hipóteses, não apresenta teorias.
Só queria que você ouvisse minha história, tinha tanta coisa pra falar,
planos, sei lá, besteiras que talvez combinassem com seu sorriso e
te incluíssem no caminho.
Mas aí, veio você, projeto na mão, gráficos de erros no processo,
discurso cansadamente repetido..
Não tive dúvidas, dei um tapa no seu braço, derrubei tudo no chão.
Você com olhar vidrado falou: - tá vendo? tá louca!
- Tô sim e agora vai ser desse jeito, se achar ruim, o ponto final dessa
frase pode ser um bom começo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

primogénito

Primeira postagem do ano. Motivos de sobra pra sorrir. Fase dourada, dias de sol e mar. O verão é mais apaixonante que os olhos azuis de Chico Buarque. Existe uma essência de amor no ar, uma coisa meio Paris e flores, não que eu conheça Paris, nem suas flores, mas conheço o verão, e aqui em Recife a sensação é de ebulição, sem rima, só calor, pé na areia e mãos dadas.
Bem vindo 2011, perto do fim do mundo ou não, o fim das coisas não me causa mais medo, adoro o fato de tudo existir hoje.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

imãs e madrugadas

Sabe um imã? Forças opostas que se atraem, é quase que impossível separar aquele desejo tácito, invisível, mas excessivamente pulsante.
Me sinto assim hoje, por que em você achei a força oposta que me move em seu sentido. Mais rápido, mais incontrolável do que eu esperava. Mas é assim o amor, não há definição, nem estudo científico, é apenas sentir, e se permitir.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Dia de chuva

Sabe asfalto molhado? Aquele cheiro característico que faz a gente sentir nariz a dentro a evaporação daquela água que cai. Sufoco.
Sabe fim de tarde de chuva? O tempo mais escuro do que o normal, muita gente andando com pressa pra chegar logo em qualquer lugar. Agonia.
Sabe a confusão desse momento? As gotas que caem das arvores batem na gente, o barulho dos pingos grossos em cima das lonas do vendedor de batata frita. Umidade.
Sabe o desejo de sair daquilo tudo? Os passos mais rapidos, seguindo o ritmo, a sombrinha molhada tanto quanto você, quase inútil. Desejo.
Sabe aquele acordo tácito de aceitação? Olhando ao redor o que se vê é um sentimento mutuo de conformidade, então você se contagia daquilo. Vida.
Minhas ideias estão em um dia de chuva hoje. Mas ainda tô na parte da agonia.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

o que é o amor?

Quando dizem que só amamos uma vez eu concordo. Todas as vezes que amei, amei só aquela vez daquele jeito. Amei aquela pessoa, amei o cheiro dela, amei a maneira como ela sorria pra mim, ou o sotaque e seus vícios de linguagem. Quando deixei de amar, simplesmente abri o espaço das minhas vontades, pra que no momento certo outro alguém depositasse seus trejeitos que passariam a ser meus perfeitos desejos.
E é assim que sou feliz amando o amor que sinto por cada merecedor desse apreço.
Quem constrói um pedestal para instalar um sentimento único, eterno e inabalável, que é edificado em cima de um e apenas um ser, não sabe o que é amar.
Amar é somar, sonhar, compartilhar e dividir. Não guardar, mensurar, santificar e fantasiar.

sábado, 13 de novembro de 2010

do sol e do suor

Gosto das tardes quentes do Recife,
e o teu corpo bronzeado caminhando do lado.
Cabelos ao ritmo do vento e o reflexo do sol clareando teus olhos.
Sempre aquele sorriso,
aquele seu sorriso que é só pra mim.
Não sei ao certo o que é certo,
mas sei que nesses dias me sinto feliz.
Adoro saber que essa cidade é quente até quando chove,
e quem sabe você continue aqui.
Mas se um dia tua presença se for,
ainda vai ter a lembrança desses dias suados pra me aquecer.